ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA – CECÍLIA MEIRELES

Enfim, chegamos ao último livro da Fuvest 2021. Foram 9 livros abordados, onde pode-se sintetizar a obra e aprofundar os conhecimentos. Para encerrar com chave de ouro, apresento-lhes Cecília Meireles com Romanceiro da Inconfidência. No Skoob, a obra tem 367 páginas na edição de 2013. Sua nota é 3.5, baseado em 1015 avaliações.  Cecília Meireles nesse romance, recria poeticamente um pedaço de tempo.

Conforme posts anteriores, selecionei vários resumos de sites conhecidos, que irão além de resumir, trazer a análise da obra. No final do post, deixarei o link das fontes, além de links extras. O post também terá vídeos com resenhas e o download do livro em pdf.

Sobre a obra

A obra Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, foi publicado em 1953, e escrito na década de 1940 quando sua autora, então jornalista, chegou a Ouro Preto, com a finalidade de documentar os eventos de uma Semana Santa. Assim, envolvida pela “voz irreprimível dos fantasmas”, conforme dissera, passou a reescrever, de forma poética, os episódios marcantes da Inconfidência Mineira, destacando, evidentemente, o martírio de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, personagem principal da obra.

Fruto de longa pesquisa histórica, Romanceiro da Inconfidência é, para muitos, a principal obra de Cecília Meireles. Nesse livro, por meio de uma hábil síntese entre o dramático, o épico e o lírico, há um retrato da sociedade de Minas Gerais do século XVIII, principalmente dos personagens envolvidos na Inconfidência Mineira, abortada pela traição de Joaquim Silvério dos Reis, o que culminou na execução de Tiradentes.

Tematicamente, pode-se localizar a ambientação da narrativa nos primeiros 19 romances. A descoberta do ouro, o início de uma nova configuração social com a chegada dos mineradores e toda a estrutura formada para atendê-los, os costumes, os “causos”, como o da donzela morta por uma punhalada desferida pelo próprio pai (Romance IV), ou os cantos dos negros nas catas (VII), o folclore, a história do contratador João Fernandes e de sua amante Chica da Silva e o alerta sobre a traição do Conde de Valadares (XIII a XIX). A ênfase recai na cobiça do ouro, que torna as pessoas inescrupulosas.

Resumo da Obra

Na Idade Média, romance era o nome que se atribuía a uma obra poética de caráter narrativo. Uma reunião de romances formava um romanceiro. O Romanceiro da Inconfidência narra a história da Conjuração Mineira, movimento revoltoso de 1789 promovido por colonos brasileiros que pretendiam tornar a região de Vila Rica (Minas Gerais) independente do domínio português. O sucesso poderia levar à utilização da riqueza produzida pelo ouro na própria região, acabando com a sangria monetária promovida pelos interesses metropolitanos. 

Em uma “Fala inicial”, o narrador, assumindo a primeira pessoa, manifesta a sensação imperativa de tornar pública a revolta que toma conta da colônia, o que funciona como justificativa para a própria obra. A partir daí, a história narrada é dividida em “Cenários”, obedecendo à ordem cronológica dos acontecimentos. 

Assim, o primeiro Cenário enquadra o desenrolar da febre do ouro na região: a busca enlouquecida pelo metal, a crescente intervenção das autoridades, a consequente luta dos colonos contra o poder instituído (como a Revolução de 1720, liderada por Felipe dos Santos), a prática do contrabando e, por fim, a presença ativa dos escravos na mineração. A atuação dos negros acabou por gerar a lenda do Chico-Rei, lendário negro que, enriquecido, dedicava-se a comprar a liberdade de outros, e a de Chica da Silva, a sedutora namorada de um rico minerador. Essa primeira parte da narrativa se encerra com o nascimento de Tiradentes (1746).

O segundo Cenário é a cidade de Vila Rica. Esta parte retrata a vida local: a bucólica e pacífica poesia dos árcades convive com o crescimento do espírito de rebelião, que envolve um número cada vez maior de colonos. Surge o herói Tiradentes, o “animoso alferes”, e, ao mesmo tempo, aquele que viria a ser o traidor, Joaquim Silvério dos Reis. Espalha-se o terror, com a prisão dos envolvidos.

Uma “Fala aos pusilânimes” serve como página de acusação aos traidores de todos os tempos e trata da consequência das prisões: a morte suspeita do inconfidente e poeta Claudio Manuel da Costa, os padecimentos de Tomás Antônio Gonzaga, autor dos versos de Marília de Dirceu e o abandono a que é relegado Tiradentes, que acaba por assumir a culpa solitariamente.

O Cenário seguinte mostra os desdobramentos da Inconfidência para seus participantes, destacando a relação de Gonzaga com Maria Joaquina, a Marília de seus poemas: ele se casa no exílio africano, enquanto ela sofre em terras brasileiras.

O último Cenário relata as atitudes das autoridades portuguesas responsáveis pela punição dos revoltosos. Narra-se aqui ainda a morte de Marília. A obra termina com uma homenagem aos rebeldes (“Fala aos inconfidentes mortos”).

CONTEXTO

Sobre o autor
Cecília Meireles é bem o retrato da poesia de seu tempo. Tendo se destacado no resgate de recursos da estética simbolista, criando uma atmosfera difusa para explorar temas abstratos – como fizeram muitos poetas da época – também enveredou por caminhos mais concretos, como aqueles pertinentes à temática social – que atravessa igualmente a obra de muitos de seus contemporâneos.

Importância do livro
Mesmo que destoe um pouco do sentido geral que a autora imprimiu à sua obra, o fato é que o Romanceiro da Inconfidência se tornou a obra mais conhecida de Cecília Meireles. De um lado, por apresentar uma linguagem mais clara e comunicativa; de outro, por tratar de um assunto familiar a muitos leitores. Seja como for, trata-se de grande poesia.

Análise da Obra

Romanceiro da Inconfidência (1953), de Cecília Meireles (1901-1964), livro de poemas que efetua um mergulho lírico na história da Conjuração Mineira (1789), é das obras poéticas de maior fôlego na literatura brasileira. Resultado de dez anos de pesquisa sobre o século XVIII no Brasil, o livro registra com exatidão dados e documentos históricos, embora busque uma resposta poética ao “atroz labirinto de esquecimento e cegueira em que amores e ódios vão” (Fala Inicial).

Por um lado, a relação direta com a realidade parece estranha a uma obra centrada na primeira pessoa, como é a poesia de Cecília. Por outro, o interesse pela cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, dá-se na esteira dos esforços modernistas pela recuperação do passado nacional. Em 1951, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) dedica uma seção de seu Claro Enigma às cidades históricas mineiras. Em 1954, Murilo Mendes (1901-1975) lança Contemplação de Ouro Preto.

O projeto do livro nasce quando Cecília é enviada à cidade como jornalista para acompanhar as festividades da Semana Santa. No contato com Ouro Preto, é tocada pelas projeções da antiga Vila Rica e seu passado histórico – decide, então, obedecer a “esse apelo dos meus fantasmas”, em suas próprias palavras. Inicialmente pensado como obra dramática, encontra a forma definitiva no romanceiro, conjunto de poemas curtos de origem popular. Utilizando principalmente a redondilha maior (verso de sete sílabas) e um esquema livre de rimas, as composições combinam os registros épico (narração dos fatos), dramático (presença de vozes de personagens) e lírico (reflexões da primeira pessoa). Com isso, Cecília assegura três de suas intenções: reconstituir cenas com liberdade, mas preservando a informação histórica; apropriar-se de estilos da época (em alguns poemas há ecos, por exemplo, das liras de Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), um de seus personagens); e, finalmente, “preservar aquela autenticidade que ajusta à verdade histórica o halo das tradições e da lenda”.

O tratamento dado aos documentos históricos produz efeito contundente: os personagens, retratados em detalhes comoventes e humanizantes, aproximam-se do leitor, suspendendo o longo período que os separa no tempo. É o caso das esporas que Gonzaga deixa na fortaleza da ilha das Cobras, quando sai da prisão em direção à África, para cumprir o degredo a que é condenado pela participação na Inconfidência. O simples objeto desperta críticas à condenação, que põe fim a sonhos e aspirações de poetas (“que isso de amores de poetas / são tudo aéreas palavras…”, Romance LXVI).

A denúncia de injustiça estende-se a todos os setores da sociedade, que tem sua formação também retratada no livro. Emprega-se em múltiplos contextos a referência ao ouro que permite o enriquecimento da região. No Romance I, ele é objeto de busca de “homens alucinados”; no IV, matéria-prima de um punhal usado por um pai para assassinar a filha (nesse caso, recriação de fato verídico). Entre outros aproveitamentos, destaca-se o do metal como símbolo da ganância permanente (“Que a sede de ouro é sem cura, / e, por ela subjugados, / os homens matam-se e morrem, / ficam mortos, mas não fartos”, Romance I), que tem como consequência a desigualdade e a exploração brutal do trabalho escravo (“Morre-se de febre e fome / sobre a riqueza da terra”, Romance II).

Ainda que objetive reconstituir a história da Inconfidência Mineira em seus múltiplos aspectos, o poema se interessa pelos injustiçados e oprimidos. “E assim me acenam por todos os lados. / Porque a voz que tiveram ficou presa / na sentença dos homens e dos fados”, canta o sujeito que é, ao mesmo tempo, o eu lírico e narrador. A visão, no entanto, nada tem de maniqueísta; até mesmo a rainha dona Maria I, responsável pela condenação dos inconfidentes, surge em sua dimensão humana.

Pode-se dividir o Romanceiro em três partes, com progressão narrativa: a formação de Ouro Preto e os antecedentes da Inconfidência; os eventos diretamente relacionados ao movimento, incluindo retratos dos envolvidos e de suas possíveis motivações; e as consequências da Conjuração, com o enforcamento de Tiradentes, a sentença de morte comutada em degredo para os demais acusados e a solidão das mulheres dos exilados.

A organização é sustentada pela existência de dois tipos de composição além do romance: os cenários e as falas, que comentam a narrativa, unem-se e abrem espaço para a reflexão poética. De modo simplificado, pode-se dizer que o cenário corresponde a uma marcação dramática, localizando e ambientando os eventos.

Pelo apuro formal, o rigor no tratamento da matéria histórica, a relevância do tema para a história do Brasil e os momentos de lirismo, o livro é saudado como obra-prima de Cecília Meireles. “Eis, no melhor sentido, uma amostra da poesia social de alta categoria”, escreve Murilo Mendes em 1953.

Mais recentemente, a crítica empenha-se em demonstrar como essa poesia social também é lírica, pois não se limita ao registro histórico. Ao tratar do drama humano implicado na Conjuração Mineira, o Romanceiro da Inconfidência questiona a fragilidade do destino humano e as contingências e aspirações que o determinam.

Sobre Cecília…

Fontes: https://www.passeiweb.com/estudos/livros/romanceiro_da_inconfidencia/
https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/romanceiro-da-inconfidencia-analise-da-obra-de-cecilia-meireles/
https://globaleditora.com.br/catalogos/livro/?id=3834
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra6408/romanceiro-da-inconfidencia
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/romanceiro-da-inconfidencia.html
https://estadodaarte.estadao.com.br/podcast-o-romanceiro-da-inconfidencia-de-cecilia-meireles/
https://www.passeiweb.com/estudos/livros/romanceiro_da_inconfidencia/
https://www.mundovestibular.com.br/estudos/resumo-de-livro/romanceiro-da-inconfidencia-cecilia-meireles-resumo-2

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Para Adquirir o livro físico!

Bem, adorei trazer esse compilado de resumos para vocês! Até breve!

2 comentários sobre “ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA – CECÍLIA MEIRELES

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