SONETOS ESCOLHIDOS, DE LUÍS DE CAMÕES

E chegamos ao último livro da saga Unicamp 2021! Hoje apresento-lhes Sonetos escolhidos de Camões. Selecionarei textos de diversos sites com o intuito de ajudá-los a melhor entendê-los. No final do texto, citarei as fontes e deixarei o link tanto para compra como para download em pdf. Então vamos começar!

Sonetos escolhidos Unicamp 2021!

A formosura desta fresca serra (1668 – soneto 136)
Ah! Minha Dinamene! Assim deixaste (1685-1668 – soneto 101)
Alma minha gentil, que te partiste (1595 – soneto 080)
Amor é um fogo que arde sem se ver (soneto 005)
Busque Amor novas artes, novo engenho (l595 – soneto 003)
Cá nesta Babilônia? donde mana (1616 – soneto 120)
Como quando do mar tempestuoso (1598 – soneto 043)
De vos me aparto, ó vida! Em tal mudança (1595 – soneto 057)
Enquanto quis Fortuna que tivesse (1595 – soneto 001)
Esta lascivo e doce passarinho (1595 – soneto 014)
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (1595 – soneto 092)
Na ribeira do Eufrates assentado (soneto 129)
O Céu, a terra, o vento sossegado (1616 – soneto 106)
O dia em que eu nasci, moura e pereça (1860 – v)
O tempo acaba o ano, o mês e a hora (1668 – soneto 133)
Pede o desejo, Dama, que vos veja (1595 – soneto 008)
Quando de minhas mágoas a comprida (soneto 100)
Sete anos de pastor Jacob servia (1595 – soneto 030)
Transforma-se o amador na cousa amada (1595 – soneto 020)
Vencido está de amor meu pensamento (1685-1668 – soneto 145)

Camões foi um poeta de atuação em múltiplas frentes: escreveu peças de teatro, a monumental obra épica Os Lusíadas e mais de duas centenas de sonetos que, embora não lhe tenham trazido a merecida fama em vida, foram suficientes para torná-lo inesquecível muito além dela. 

O soneto é uma forma poética fixa, isto é, com regras definidas e que devem necessariamente ser seguidas por seus praticantes. Surgido na Itália, o modelo mais consagrado possui catorze versos, distribuídos em duas estrofes de quatro versos (quadras) seguidas de duas de três versos (tercetos). Era a forma praticada pelo italiano Francesco Petrarca (1304-1374), a grande inspiração de Camões, tanto pelo conteúdo lírico (elogio da amada e amor após a morte) quanto pela forma (duas quadras e dois tercetos). No soneto clássico, os versos eram decassílabos, a grande novidade formal do Classicismo renascentista (ou Quinhentismo).

O eu lírico camoniano consegue ser, ao mesmo tempo, intimista (o suficiente para relatar ou referir um conjunto de experiências amorosas particulares) e universal (ao conferir a essas experiências um caráter de reflexão de valor mais amplo).

A base filosófica de sua poesia é o neoplatonismo, uma retomada das ideias de Platão (428-348 a.C.). O filósofo grego concebia dois planos distintos da experiência humana: o mundo sensível e o mundo inteligível (ou ideal), atingido após um processo de ascensão espiritual. O primeiro representaria uma prisão do homem à matéria, enquanto o segundo seria o mundo da perfeição. Assim, para Platão, a experiência sentimental ideal seria a do amor espiritualizado – o amor platônico.

Em Camões, a temática do amor espiritual convive com a do amor carnal. Essa coexistência, por vezes tensa, permite perceber o que há de barroco na poesia camoniana. Mas os conflitos encontram sua resolução nos limites da razão clássica.

ANÁLISE

São muitos os indícios da herança clássica em Camões. A própria adoção da forma soneto, herdada do humanismo italiano do século XIV, é uma comprovação da marca renascentista. Para ela contribui ainda a constante recorrência a referências mitológicas, próprias, na época, de uma cultura erudita de matriz clássica. 

No entanto, a visão otimista da condição humana, como resultado do elogio da racionalidade, não se encontra tão explícita no poeta. Ao contrário, sua obra parece expor o conflito entre expectativas e realizações humanas. Dele advém o difundido maneirismo de Camões. De fato, se entendermos a expressão de contradições como um recurso maneirista (que posteriormente desaguaria no barroco), o poeta se enquadra no modelo, como pode ser percebido em sonetos como “Tanto de meu estado de acho incerto” ou “Amor é fogo que arde sem se ver” (convém lembrar que, por convenção, poemas sem título, como são todos os sonetos de Camões, são designados pelo primeiro verso). Há muito de maneirista também no reconhecimento das limitações da razão no esforço de definição do amor – tema de “Busque amor novas artes, novo engenho”.

De molde clássico é ainda o elogio da beleza da amada, associada a um ideal de perfeição que, embora de matriz platônica, tem muito de físico e carnal, como se vê em “Quando da bela vista e doce riso” ou “Alegres campos, verdes arvoredos”. A celebração do amor aparece em “Quem vê, Senhora, claro e manifesto” e em “O tempo acaba o ano, o mês e a hora”, por exemplo. Nessa celebração, o amor físico e o espiritual se misturam, permitindo a convivência de conceitos platônicos com concepções aristotélicas (de Aristóteles, discípulo de Platão que contestava a proeminência que este conferia ao mundo ideal), como se pode notar em “Transforma-se o amador na cousa amada”. 

Mas em Camões o amor não é só celebração – racional, espiritual ou física. Há espaço para a expressão do sofrimento amoroso e da desilusão sentimental (“Se tanta pena tenho merecida”, “O céu, a terra, o vento sossegado”, por exemplo). O auge dessa linha é a temática da morte da amada – não apenas pelo grau de dor envolvido, mas, acima de tudo, pela qualidade dos versos. A tradição literária consagrou a lenda de Dinamene, nome mitológico que ele atribui a uma suposta amante morta em um naufrágio na China. Para ela, Camões compôs seus mais belos poemas de amor: “Cara minha inimiga, em cuja mão”, “Quando de minhas mágoas a cumprida” e “Ah! minha Dinamene! Assim deixaste entre muitos outros”.

Por fim, convém acrescentar que Camões não foi apenas o poeta do amor. A dor de existir também mereceu dele obras de qualidade superior, como ocorre com os sonetos “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, “Correm turvas as águas desse rio” e “Erros meus, má Fortuna, amor ardente”.

Publicados a partir de 1595,  portanto, postumamente (seu autor morrera então entre 1579 e 1580, provavelmente), os Sonetos de Luís de Camões têm desde então assumido um lugar de destaque em toda a literatura de língua portuguesa, tornando-se grande influenciador até da poesia atual (são vários os poetas que de uma forma ou de outra se mostraram influenciados por Camões. No Barroco, encontramos Gregório de Matos Guerra.

No Arcadismo, deve-se lembrar dos nomes de Bocage, em Portugal, e Cláudio Manuel da Costa, no Brasil. Já no Romantismo, é vasta a lista dos literatos que se inspirarão no seu modelo, principalmente na teoria de que o amor é um sentimento que não pode ser devassado pela razão, como se percebe tão bem no célebre soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”.

Aliás, essa forma poemática, consagrada pelo grande poeta português, tornou-se muito comum no Parnasianismo e no Simbolismo, sendo mais para frente usada no Pré-Modernismo, nas mãos de Augusto dos Anjos. Por fim, o Modernismo, que ingenuamente é caracterizado como escola que rejeita o passado, a tradição, também tem se inspirado em Camões. É o caso de Vinicius de Moraes).

Essa forma poemática é bastante antiga e pode ser definida como qualquer poema constituído por 14 versos. No entanto, a configuração consagrada por Camões em nossa língua foi criada pelo renascentista italiano Francesco Petrarca e se constitui de 14 versos decassílabos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.

No entanto, a força petrarquiana (deve-se lembrar de que, se Camões é influenciado por Petrarca, isso de maneira alguma indica uma inferioridade daquele em relação a este. Muito pelo contrário, há momentos em que o poeta português chega a superar o italiano, até mesmo quanto parafraseia os poemas deste, como é o caso do célebre “Alma minha gentil, que te partiste”) não se manifesta apenas nesse aspecto formal.

A experiência amorosa, como se vê, nem sempre é apresentada como positiva. Aliás, a lírica camoniana aborda as múltiplas facetas desse sentimento, desde o encantamento graças ao contato com o objeto amado até a dor provocada pela frustração de expectativas ou pelo fim de um relacionamento.

Mas o mais chamativo, como se disse, é este segundo aspecto, que faz o poeta encarar o conhecimento amoroso como produtor de dores e decepções. Ainda assim, é curioso notar que o poeta ainda consegue, por pior que seja a sua situação, expressar, no quinto verso, uma ironia, amarga, mas que revela um caráter espirituoso.

FONTES

  1. http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/sonetos.html
  2. https://www.escritas.org/pt/luis-de-camoes
  3. https://vestibular1.com.br/resumos/resumos-de-livros/sonetos-de-luis-de-camoes/

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